Estudantes indígenas realizam reflorestamento para conservar Gavião Real em Cacoal, RO

Foi iniciada uma ação de reflorestamento no entorno de uma árvore com um ninho de Gavião Real em uma propriedade particular da área rural de Cacoal (RO), município a pouco mais de 480 quilômetros de Porto Velho. A ideia é que essa ave, que está em extinção, continue sendo observada na Floresta Amazônica.

O trabalho é movido por pesquisadores do projeto Harpia do Núcleo Rondônia, em conjunto estudantes indígenas de agroecologia do Centro Técnico de Educação Rural Abaitará, localizado em Pimenta Bueno (RO), do Instituto Estadual de Educação Profissional (IDEP)

Em Rondônia, o Projeto Harpia vem desenvolvendo ações de conservação da espécie desde 2008. Essas ações começaram no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, e agora em várias regiões do Brasil onde a espécie é encontrada. Um trabalho com os estudantes já foi programada para recuperar a área de floresta para a harpia.

De acordo com o pesquisador e professor Almério Câmara Gusmão, o ninho em questão foi encontrado em uma castanheira isolada na pastagem de uma propriedade particular da zona rural de Cacoal em 2012. Desde então, os pesquisadores já acompanharam três ciclos de nidificação. Ou seja, nesse período e por três vezes o Gavião-Real construiu o ninho sobre a árvore.

“No ninho está um filhote que já tem seis meses de vida e isso facilita a ação do reflorestamento, uma vez que nessa etapa a presença de pessoas no local é menos impactante ao animal, pois ele já está maior”, explicou Almério.

A primeira visita ao local para plantar mudas ocorreu no último final de semana. A previsão é que as visitas sejam periódicas quinzenalmente até janeiro do ano que vem. “Durante as atividades foram plantadas mudas de coração de negro, cerejeira, açaí, cupuaçu e a expectativa é que outras espécies nativas aumente a variedade de árvores no local”, detalhou Almério.

Nessa etapa, os estudantes observaram pela primeira vez o ninho na castanheira, tiraram fotografias e fizeram buscas nas proximidades para tentar observar a ave. No entanto, somente no final do dia tiveram a presença do filhote da águia, que retornou ao ninho.

A estudante Regislane Cao Orowaje participou da ação de preservação. A aluna ficou encantada com a beleza da águia. Para ela, o momento mais interessante da visita foi conseguir ver o Gavião Real de perto.“É importante conservar a espécie para que as próximas gerações também possam conhecer a Harpia”, disse.

Almério disse que é uma das práticas do Projeto Harpia é inserir a comunidade estudantil nas ações para que tenham melhor conhecimento sobre a espécie. “Esperamos que atividades dessa natureza sirva como incentivo para que outros ninhos já monitorados pelo Projeto Harpia possa receber ações como essas e que as harpias possam continuar sendo observadas nas florestas de Rondônia”, desejou o pesquisador.

Gavião-Real ou Harpia

O pesquisador Gusmão afirma que o Gavião-Real ou Harpia é a maior águia das Américas. Uma fêmea adulta, por exemplo, pode ter até dois metros de uma ponta a outra das asas. Suas garras são tão poderosas que pode dilacerar o crânio de um macaco, pois apresentam unhas de até sete centímetros de comprimento.

Sua alimentação é variada com animais silvestres, que pode ser de preguiças, macacos, aves de grande porte e outros mamíferos.

O Gavião-Real é raro de ser encontrado na natureza. Graças aos efeitos da modificação da paisagem provocada pela ocupação do homem tem se tornado cada vez mais rara. Atualmente, é ameaçada de extinção.

Fonte: G1