Falta de investimento em pesquisa pode aumentar casos de Doença de Chagas em RO

A falta de investimento em pesquisa, tanto sobre o inseto transmissor quanto os tratamentos e detecção em sua fase inicial, pode agravar os casos da Doença de Chagas em Rondônia.

O alerta foi informado ao G1 pelo médico clínico Mauro Tada, mestre em medicina tropical do Centro de Diagnóstico e Imagem de Porto Velho (Cepem) na última segunda-feira (28).

De acordo com o especialista, apesar de ser uma doença grave e de grande incidência na região Amazônica, a Doença de Chagas ainda é negligenciada tanto pelo governo quanto pelas grandes indústrias farmacêuticas.

“Para se ter uma ideia, o mesmo medicamento é utilizado no tratamento da Doença de Chagas há décadas. No que se refere à saúde pública, é preciso melhorar o diagnóstico para que a doença seja detectada com mais eficiência”, destacou o médico.

A Doença de Chagas pode matar, conforme Mauro Tada. Mas, se detectada até a fase aguda, ele aponta que a cura é possível. “Na fase inicial da doença, os sintomas se parecem muito com os da malária. Porém, depois, apresenta frequências diferentes de febre”, complementou o especialista.

“No estado crônico não há cura. Em contrapartida, no agudo ainda há uma probabilidade de cura. No caso crônico, as lesões são irreparáveis, mesmo que o parasita seja eliminado do organismo da pessoa”.

Nos últimos dias, dois casos da doença foram registrados em Rondônia. Um deles na última sexta-feira (25), em Porto Velho.

De acordo com Mauro Tada, o paciente tem 14 anos, mora no bairro Cascalheira, mas esteve viajando pela região de Guajará-Mirim (RO), dificultando a precisão do local onde ele foi infectado.

Conforme o médico, muitas crianças e até adultos podem ter morrido por Doença de Chagas e a falência ter sido atribuída a outros males, como a malária e o infarte, por exemplo.

“Como os sintomas são parecidos, pode ter havido esses problemas. O diagnóstico da Doença de Chagas é muito raro na fase inicial, mas a Fundação Hemocentro faz testes rotineiramente no doador de sangue”, acentuou o especialista.

A Doença de Chagas pode ser transmitida pela picada do Triatoma infestans, uma das espécies popularmente chamadas de Barbeiro. Ou por via oral, através do consumo de açaí ou caldo de cana que não passam pelo devido processo de higienização. A doença pode ser transmitida, inclusive, até pela carne de caça.

Segundo a doutora em biologia Genimar Rebouças, pesquisadora em saúde pública da Fiocruz, o parasita causador da Doença de Chagas está nas fezes do barbeiro, de modo que, ao ser picada pelo inseto, a pessoa deve evitar coçar o local e lavar imediatamente com água e aguá sanitária ou água e álcool.

“A maioria das doenças são assintomáticas, sem sintomas, o que causa muitas mortes, já que o doente, às vezes, só descobre a doença quando ela já está no estado crônico”, salientou Genimar.

Fonte: G1