Universitários desenvolvem sozinhos impressora 3D de baixo custo em MT

impressoraCinco alunos de engenharia elétrica da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) em Sinop, a 503 km de Cuiabá, criaram, sem o auxílio de professores, uma impressora 3D de baixo custo. O equipamento, que foi apresentado na 13ª Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI), que foi realizada na Arena Pantanal, em Cuiabá, será doado aos alunos da instituição.

O aparelho está em construção há cerca de dois anos e ficou pronto há dois meses. A equipe de desenvolvedores é composta pelos estudantes Jonas Lima, Wellivelton de Moura e Tiago Travaglia, que estão no nono semestre do curso e Cleberton Reis e Renan Sampaio, alunos do oitavo semestre.

Jonas, um dos integrantes do grupo que compareceu ao evento científico, contou que uma das dificuldades dos jovens em relação ao projeto foi a dificuldade em relação ao acesso de alguns dispositivos.

“A logística para conseguir as peças foi nossa maior dor de cabeça. Nós temos muita dificuldade de acesso a diversos equipamentos e peças específicas aqui em Mato Grosso. Algumas nós pedimos em outros estados. Mas outras nós só conseguimos comprando da China. Elas demoravam dois, três meses para chegar aqui por causa da burocracia brasileira”, comentou Jonas.

As peças que não foram compradas foram retiradas de outros equipamentos eletrônicos como impressoras convencionais e computadores, que cederam, por exemplo, a bateria para o equipamento de baixo custo.

O equipamento montado dos alunos custa cerca de R$ 1.500, 50% mais baixo do que a média das impressoras 3D que estão à venda no mercado, segundo Jonas.

Wellivelton afirmou que a ideia inicial era criar algo de baixo custo, mas que tivesse qualidade, durabilidade e utilidade.

Ele complementou o que disse o colega de faculdade sobre as dificuldades e disse que, já que a idealização não foi feita com o auxílio de professores, todos os questionamentos sobre o funcionamento do equipamento foram feitos com pessoas que eles não conheciam.

“Nós tirávamos as dúvidas com os próprios vendedores das peças. Mandávamos e-mail ou mensagem perguntando se estávamos aplicando as peças de maneira correta. Outras dúvidas pesquisávamos na internet. Foi tudo na ‘raça’”, disse.

Para ele, o mais importante foi ver a ideia dos amigos ganhando vida. “Com certeza o mais gratificante é ver que seu projeto em pleno funcionamento e sendo elogiado por várias pessoas que trabalham na sua área. Isso te deixa muito feliz e muito confiante para apostar em outras criações”, defendeu.

Funcionamento
Os modelos que serão impressos na máquina são desenvolvidos previamente, em 3D, por meio de softwares de computador. A impressora reconhece objeto nos quatro eixos, ou seja, tanto em largura quanto em altura e divide a impressão em camadas.

O equipamento dos alunos de Sinoppossui um dispositivo para queimar um filamento abs [tipo de plástico que serve como matéria prima para as impressões] e mais uma mesa aquecida para fixar em pé a impressão final. Para formar o objeto desejado o filamento é aquecido em 240 graus e cai na mesa que queima em uma temperatura que gira em torno de 90 graus.

A bateria da impressora dos alunos tem autonomia de até 6 horas. Entre os modelos teste que os jovens já imprimiram estão um busto do herói Batman, que levou cerca de quatro horas para ser impresso.

A impressora 3D, muito usada na construção de próteses e maquetes, será deixada para os alunos do curso de engenharia elétrica da Unemat de Sinop. A doação já foi formalizada pelo grupo, que já pensa em, no futuro, desenvolver um vant (veículo aéreo não tripulado).

impressora1Fonte: G1