Imobilismo do Congresso vai prejudicar governo e seus aliados na eleição presidencial, diz equipe de Temer

O Congresso segue sem votar projetos de interesse do Palácio do Planalto e pode ficar assim até o final do ano. Esse imobilismo do Legislativo, resultado de uma decisão da base aliada de não votar medidas polêmicas para evitar desgastes com o eleitorado, vai prejudicar não só o governo mas também os candidatos do campo de centro na eleição presidencial.

A avaliação é de assessores do presidente Michel Temer e será repassada aos parlamentares da base de apoio do Palácio do Planalto. Em conversa com o blog, um assessor direto de Temer fez o seguinte raciocínio: “Os partidos aliados decidiram não votar medidas que podem, na visão deles, beneficiar o governo. O que não entendem é que isso vai prejudicar o governo e candidatos de seu campo, beneficiando candidatos de oposição”.

Para a equipe de Temer, as últimas pesquisas de intenção de voto já refletiriam essa situação, com os candidatos de extrema-direita, centro-esquerda e esquerda à frente nos últimos levantamentos. Já os de centro enfrentam dificuldades. O melhor colocado é o tucano Geraldo Alckmin, mesmo assim na quinta posição. Os demais estão no final da fila, no máximo com 2% de intenções de voto.

Segundo auxiliares presidenciais, a falta de aprovação de medidas enviadas pelo Planalto, principalmente as da agenda econômica, vai ter impacto negativo no ritmo de crescimento do Brasil. Com isso, os candidatos de centro, na avaliação da equipe de Temer, sairão todos prejudicados, porque isso beneficiará seus adversários na campanha presidencial.

O risco, nesse caso, é nenhum dos candidatos do campo de centro, que estão ou já participaram da base de apoio de Temer, passar para o segundo turno. Aliados de Temer dizem que foi o próprio Palácio do Planalto o responsável por essa situação, depois que aventou a possibilidade de o presidente ser candidato à reeleição.

Essa hipótese, hoje, é vista como descartada. Principalmente depois da possibilidade de uma terceira denúncia ser enviada à Câmara dos Deputados pela Procuradoria-Geral da República. Nesta semana, por sinal, a Polícia Federal pode pedir nova prorrogação do inquérito dos portos, que investiga se o presidente Temer recebeu algum benefício de empresas que tiveram suas concessões no setor renovadas a partir de decreto editado pelo governo atual.

Policiais querem prazo para analisar documentos apreendidos na Operação Skala. Será mais um desgaste para o governo. E sinal de que a PF deseja aprofundar ainda mais as investigações. Aliados de Temer têm o receio de que a PF esteja buscando alguma prova de que as empresas beneficiadas poderiam ter repassado recursos para o coronel João Batista Lima, amigo do presidente, o que complicaria totalmente a vida do Palácio do Planalto e tornaria uma terceira denúncia muito provável.

Fonte: G1