Em 2017, foram registrados 17 mortes por conflitos agrários em Rondônia

A violência no campo em Rondônia é uma realidade muito presente na vida de várias famílias que dependem das terras para sobreviver. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Regional Rondônia, em 2017 foram registradas 91 ocorrências de conflitos agrários, envolvendo cerca de 4.316 famílias. Porém, houve uma queda no número de mortes por conflitos em relação aos anos anteriores. Em 2017 foram registradas 17 mortes, contra 21 em 2016. Em 2015 foram 20 casos de mortes. Esses dados estão no Caderno de “Conflitos no Campo Brasil 2017”, lançado ontem pela CPT Regional, no auditório da Catedral de Porto Velho.

O Livro “Conflitos no Campo Brasil 2017” mostra os registros de casos de conflitos por terra, casos de violência contra reintegração de posse, conflitos trabalhistas e também conflitos pela água, que tem aumentado nos últimos anos. Segundo Maria Petrolina Neto, integrante da coordenação da Pastoral da Terra de Rondônia, o Caderno é publicado anualmente há mais de 30 anos. “A CPT tem 42 anos institucionalizado junto aos trabalhadores. E o livro é um documento aberto para toda sociedade. É uma forma de registrar na história a luta dos trabalhadores e é sobretudo para dar voz aos trabalhadores na luta pela terra do campo”, contou Maria. Ela ainda informou que no Estado de Rondônia se destacam duas grandes regiões com mais casos de conflitos: no Cone Sul, região de Vilhena, e na região do Vale do Jamari, local onde teve mais ocorrências de conflitos em 2017.

Para Josep Iborra, da Articulação das CPT’s da Amazônia, os registros que estão no Caderno são apenas uma amostra de alguns casos, porque nem todos são registrados. “A maior parte dos conflitos não acontece por causa dos sem terras, ao contrário do que se pensa, a maior parte dos conflitos é por causa de posseiros que não tem a titulação devida do lugar. Eles são expulsos e retirados de suas terras por alguém que entrou na justiça”, relatou.

Em 2016, o Estado de Rondônia chegou a ter 40% das mortes registradas em conflito agrário em todo o Brasil. “No último ano teve uma pequena trégua e tudo indica que está terminando. Em 2018 já temos umas quatro mortes registradas apenas, é pouco porque teve anos que chegava nessa época era 6 a 7 mortes já registradas”, relatou Josep, esperançoso com a queda de mortes em conflitos por terra.

Fonte: Diário da Amazônia