Doença pode evoluir rapidamente e nem sempre apresenta corrimento. Médico-veterinário de Cacoal explica os principais sinais de alerta e por que a avaliação rápida é fundamental.
Uma cadela que ficou mais quieta depois do cio, começou a beber mais água, perdeu o apetite ou apresentou aumento abdominal pode estar demonstrando sinais de um problema muito mais sério do que parece.
Entre as doenças que exigem atenção rápida na medicina veterinária está a piometra, uma infecção que ocorre no útero e pode comprometer gravemente a saúde de cadelas e, também, de gatas não castradas.
Segundo o médico-veterinário Dr. Arthur Antunes, CRMV-RO 1768, que atua em clínica médica e cirurgia de pequenos animais em Cacoal e região, um dos principais riscos está justamente em esperar que o quadro se torne evidente.
“Nem sempre a piometra apresenta um sinal externo claro. Em alguns casos existe secreção vaginal, mas em outros o conteúdo permanece dentro do útero. Por isso, mudanças no comportamento e no estado geral do animal precisam ser observadas com muita atenção.”
O que é a piometra?
A piometra é uma infecção uterina associada às alterações hormonais do sistema reprodutivo das fêmeas.
Ela ocorre principalmente em animais não castrados e é observada com maior frequência após períodos de cio.
Dentro do útero pode ocorrer acúmulo de conteúdo infeccioso. Conforme a doença evolui, bactérias e toxinas podem provocar alterações sistêmicas importantes no organismo.
Embora seja frequentemente associada às cadelas, a doença também pode ocorrer em gatas.
Por isso, tutores de fêmeas não castradas precisam conhecer seus principais sinais.
Piometra aberta e fechada: qual é a diferença?
Existem duas apresentações que costumam chamar a atenção na rotina clínica.
Na chamada piometra aberta, o colo uterino permite a saída do conteúdo, fazendo com que o tutor possa perceber secreção pela vagina.
Essa secreção pode variar de aparência e, em alguns casos, apresentar pus ou sangue.
Já na piometra fechada, não existe drenagem visível.
O conteúdo permanece acumulado dentro do útero e o abdômen pode aumentar progressivamente.
É justamente nesse tipo de apresentação que alguns tutores podem acreditar que não existe um problema reprodutivo, já que não observam corrimento.
“A ausência de secreção não descarta a doença. Uma fêmea não castrada que passou recentemente pelo cio e começa a apresentar alterações importantes precisa ser avaliada”, explica Dr. Arthur.
Quais sinais podem indicar piometra?
Os sinais variam conforme o estágio da doença e as condições de cada paciente.
Entre as alterações que merecem atenção estão:
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falta ou redução do apetite;
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apatia e fraqueza;
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aumento da ingestão de água;
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aumento da quantidade de urina;
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vômitos;
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febre em alguns pacientes;
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aumento do volume abdominal;
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secreção vaginal;
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desconforto ou dor abdominal;
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piora rápida do estado geral.
Nenhum desses sinais isoladamente confirma o diagnóstico.
Diversas outras doenças podem apresentar manifestações semelhantes.
Por isso, o diagnóstico precisa ser realizado pelo médico-veterinário.
Por que a doença pode se tornar uma emergência?
À medida que a infecção progride, o organismo pode sofrer consequências importantes.
Além da infecção uterina, toxinas produzidas pelas bactérias podem afetar outros órgãos e contribuir para quadros sistêmicos graves.
Em casos avançados, existe ainda o risco de rompimento do útero e contaminação da cavidade abdominal.
A condição pode evoluir para sepse, choque e outras complicações.
“O ponto principal é entender que não estamos falando apenas de uma infecção localizada. Dependendo da evolução, o paciente inteiro pode estar comprometido”, afirma o médico-veterinário.
Isso explica por que quadros suspeitos não devem ser tratados apenas com observação em casa.
Como o diagnóstico é realizado?
A investigação começa pelo histórico do animal e pelo exame clínico.
Informações como idade, data aproximada do último cio, uso de hormônios, presença de secreção, mudança no consumo de água e alteração no comportamento ajudam na avaliação.
Dependendo do quadro, exames de sangue e métodos de diagnóstico por imagem podem ser solicitados.
A ultrassonografia abdominal possui papel importante na investigação, permitindo avaliar alterações uterinas e a presença de conteúdo dentro do órgão.
Exames laboratoriais também auxiliam na avaliação do estado geral da paciente e de possíveis repercussões sistêmicas.
“O exame não serve apenas para dar um nome à doença. Precisamos saber como está aquela paciente naquele momento para planejar a melhor conduta”, destaca Dr. Arthur.
A cirurgia pode ser necessária?
Na maior parte dos casos, o tratamento cirúrgico com retirada dos ovários e do útero é a conduta indicada.
Entretanto, uma cirurgia de piometra não deve ser confundida com uma castração eletiva de rotina.
O animal pode estar desidratado, intoxicado, com alterações laboratoriais e sob efeito de uma infecção importante.
Por isso, muitas pacientes precisam inicialmente de estabilização, fluidoterapia, medicamentos e monitoramento.
“Antes de pensar apenas no procedimento cirúrgico, avaliamos a condição geral da paciente. Cirurgia segura também começa com uma boa avaliação pré-operatória.”
O planejamento anestésico e cirúrgico precisa considerar a condição individual de cada animal.
Antibiótico sozinho resolve?
Essa é uma dúvida frequente entre tutores.
A piometra envolve um útero preenchido por material infeccioso e alterações hormonais importantes.
Por isso, simplesmente administrar antibióticos sem avaliação e acompanhamento não representa uma solução segura para a maioria dos casos.
Existem situações reprodutivas muito específicas em que tratamentos clínicos podem ser considerados, mas são decisões que dependem de critérios veterinários rigorosos e apresentam possibilidade de recorrência.
Para a maioria das pacientes, a cirurgia continua sendo a principal abordagem.
A castração ajuda a prevenir a piometra?
Quando realizada com retirada dos ovários e do útero, a castração evita que uma cadela ou gata desenvolva piometra posteriormente nesses órgãos.
A decisão sobre o melhor momento para castrar deve ser discutida individualmente com o médico-veterinário, considerando espécie, raça, idade, condição clínica e particularidades de cada paciente.
Mais importante do que seguir uma regra única é ter planejamento.
“Ela acabou de sair do cio e está diferente.” O que fazer?
Essa informação merece atenção.
A piometra frequentemente está relacionada ao período posterior ao cio.
Isso não significa que toda cadela ou gata que fique indisposta depois do ciclo esteja com a doença.
Porém, quando alterações como apatia, vômitos, aumento de sede, perda de apetite, secreção ou aumento abdominal aparecem, procurar avaliação veterinária rapidamente é a decisão mais segura.
Esperar vários dias para observar a evolução pode permitir que uma doença inicialmente controlável se torne um quadro muito mais grave.
Informação também faz parte da prevenção
Para Dr. Arthur Antunes, boa parte dos atendimentos de urgência poderia chegar à clínica em condições melhores se os tutores reconhecessem precocemente determinados sinais.
“O tutor convive com o animal todos os dias. Ele normalmente é a primeira pessoa a perceber que alguma coisa mudou. Nosso objetivo também precisa ser ensinar quais mudanças merecem atenção.”
Conhecer doenças como a piometra ajuda a transformar pequenas observações do cotidiano em decisões importantes para a saúde do animal.
Atendimento veterinário em Cacoal e região
Dr. Arthur Antunes — CRMV-RO 1768 é médico-veterinário com atuação em clínica médica e cirurgia de pequenos animais e atualmente é pós-graduando em Oncologia Veterinária.
Atua no acompanhamento de cães e gatos em Cacoal e região de Rondônia, incluindo pacientes provenientes de Rolim de Moura, Ji-Paraná, Pimenta Bueno, Santa Luzia d’Oeste, Nova Brasilândia d’Oeste e Espigão d’Oeste.
Além do atendimento clínico e cirúrgico, Dr. Arthur desenvolve conteúdo informativo voltado à orientação de tutores e à prevenção de doenças em pequenos animais.
SOBRE O AUTOR
Dr. Arthur Antunes
Médico-Veterinário — CRMV-RO 1768
Clínica Médica e Cirurgia de Pequenos Animais
Pós-graduando em Oncologia Veterinária
Site: arthurcostavet.com.br
WhatsApp: (69) 99208-0578