Obstrução uretral pode evoluir rapidamente e colocar a vida do animal em risco. Médico-veterinário Dr. Arthur Antunes explica quais sinais os tutores não devem ignorar.
Um gato entrando várias vezes na caixa de areia, fazendo força para urinar e eliminando apenas algumas gotas — ou nenhuma urina — não deve ser tratado apenas como uma mudança de comportamento.
O quadro pode representar uma obstrução uretral, condição considerada uma emergência na medicina veterinária e que ocorre principalmente em gatos machos.
Segundo o médico-veterinário Dr. Arthur Antunes, CRMV-RO 1768, que atua em clínica médica e cirurgia de pequenos animais em Cacoal e região, reconhecer os primeiros sinais pode fazer diferença na condução do paciente.
“O tutor muitas vezes percebe que o gato entra repetidamente na caixa, permanece algum tempo tentando urinar e sai sem produzir urina. Esse é um sinal que merece avaliação imediata.”
Por que um gato pode parar de urinar?
A uretra é o canal responsável pela eliminação da urina armazenada na bexiga.
Quando esse canal fica obstruído, a urina deixa de sair normalmente.
Em gatos, a obstrução pode estar relacionada a diferentes fatores, incluindo tampões uretrais, cálculos urinários e processos inflamatórios.
Os machos apresentam maior predisposição porque possuem uma uretra mais longa e estreita.
Quando existe uma obstrução completa, a bexiga continua recebendo urina produzida pelos rins, mas o animal não consegue eliminá-la.
O problema, portanto, vai muito além do desconforto ao urinar.
Quais são os principais sinais de obstrução urinária?
O tutor deve ficar atento principalmente quando o gato apresenta mudanças repentinas na rotina urinária.
Os sinais que podem aparecer incluem:
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várias tentativas de utilizar a caixa de areia;
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esforço para urinar;
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eliminação de poucas gotas ou ausência de urina;
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vocalização ou sinais de dor durante as tentativas;
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sangue na urina;
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lambedura frequente da região genital;
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inquietação;
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isolamento;
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perda de apetite;
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vômitos;
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apatia ou fraqueza.
Em alguns casos, o tutor acredita que o animal está tentando defecar e interpreta o esforço como prisão de ventre.
Essa confusão pode atrasar a busca por atendimento.
“O movimento de um gato fazendo força na caixa pode lembrar uma tentativa de evacuar. Por isso, é importante observar se realmente está sendo produzida urina”, orienta Dr. Arthur.
Por que a obstrução é uma emergência?
Quando a urina não consegue sair, substâncias que normalmente seriam eliminadas começam a se acumular no organismo.
Além disso, podem ocorrer alterações importantes nos eletrólitos presentes no sangue.
Entre elas está a elevação do potássio, alteração que pode interferir no funcionamento cardíaco.
Também pode ocorrer comprometimento da função renal, desidratação e piora progressiva do estado geral.
Por isso, um gato completamente obstruído pode passar rapidamente de um quadro aparentemente urinário para uma condição sistêmica grave.
“Não é uma situação para observar até o dia seguinte. Quando existe suspeita de que o gato não está conseguindo urinar, ele precisa ser avaliado”, explica o médico-veterinário.
O gato ainda elimina algumas gotas. Está tudo bem?
Não necessariamente.
A produção de pequenas quantidades de urina não significa que o sistema urinário esteja funcionando normalmente.
Um paciente pode apresentar obstrução parcial ou estar evoluindo para uma obstrução completa.
Além disso, outros problemas do trato urinário inferior também podem causar dor, sangue na urina e aumento da frequência de idas à caixa.
O importante é identificar a causa.
Como o diagnóstico é realizado?
A avaliação começa pelo histórico relatado pelo tutor e pelo exame físico.
Durante o atendimento, o médico-veterinário avalia o estado geral do gato e pode identificar uma bexiga aumentada, tensa e dolorosa.
Dependendo da condição clínica, também podem ser necessários exames complementares.
Entre eles podem estar exames de sangue, avaliação da urina, radiografias e ultrassonografia.
Esses exames ajudam não apenas a investigar a causa da obstrução, mas também a verificar as consequências que o problema já pode ter provocado no organismo.
“Precisamos entender duas coisas: por que o paciente parou de urinar e como essa obstrução está afetando o restante do organismo”, explica Dr. Arthur.
Como é realizado o tratamento?
O primeiro objetivo é estabilizar o paciente quando necessário e restabelecer o fluxo de urina.
Em muitos casos, é necessária a passagem de uma sonda urinária para desobstruir a uretra.
O procedimento geralmente exige sedação ou anestesia.
Dependendo do estado clínico, também podem ser necessários fluidoterapia intravenosa, controle da dor, correção de alterações eletrolíticas e acompanhamento hospitalar.
Cada paciente precisa ser avaliado individualmente.
Todo gato obstruído precisa de cirurgia?
Não.
Muitos casos podem ser solucionados inicialmente com desobstrução e sondagem urinária.
Entretanto, existem situações em que cálculos precisam ser removidos cirurgicamente ou em que episódios recorrentes levam à necessidade de outras abordagens.
O tratamento depende da causa, da gravidade e do histórico daquele paciente.
Por isso, segundo Dr. Arthur, não existe uma única conduta aplicável a todos os gatos.
“A medicina veterinária precisa olhar para o paciente, não apenas para o diagnóstico. A causa da obstrução, os exames e o histórico de recorrências interferem diretamente na decisão.”
O problema pode voltar?
Sim.
Alguns gatos que apresentam doenças do trato urinário podem ter novos episódios ao longo da vida.
Após o tratamento da emergência, é importante investigar fatores associados e estabelecer medidas preventivas adequadas para aquele paciente.
Dependendo do diagnóstico, mudanças na alimentação, aumento do consumo de água, controle do peso, enriquecimento ambiental e acompanhamento veterinário podem fazer parte da estratégia.
A prevenção deve ser individualizada.
Água também faz parte da saúde urinária dos gatos
Os gatos possuem características próprias relacionadas ao consumo de água.
Por isso, estimular uma boa ingestão hídrica pode fazer parte dos cuidados com determinados pacientes.
Fontes de água, múltiplos recipientes distribuídos pela casa e estratégias alimentares orientadas pelo médico-veterinário podem contribuir para aumentar a ingestão de líquidos.
Entretanto, oferecer mais água não substitui tratamento quando o animal já apresenta sinais de obstrução.
Estresse também merece atenção
Problemas do trato urinário inferior dos felinos não estão associados exclusivamente à formação de cálculos.
Fatores ambientais e comportamentais podem participar de alguns quadros urinários, principalmente na doença conhecida como cistite idiopática felina.
Mudança de residência, conflitos entre gatos, alterações bruscas na rotina e ambientes com poucos recursos podem contribuir para o estresse.
Por isso, a investigação pode envolver tanto fatores médicos quanto aspectos relacionados ao ambiente em que o gato vive.
“Meu gato está indo várias vezes à caixa.” Quando devo procurar atendimento?
Se o tutor perceber tentativas repetidas de urinar, dor, vocalização, ausência de urina ou produção de apenas pequenas gotas, a avaliação veterinária não deve ser adiada.
O mesmo vale quando esses sinais aparecem associados a vômitos, fraqueza, falta de apetite ou prostração.
Especialmente em gatos machos, é importante descartar uma obstrução uretral.
“Na dúvida, o mais seguro é avaliar. Em uma obstrução completa, esperar para ver se melhora sozinho pode colocar o paciente em risco”, ressalta Dr. Arthur Antunes.
Conhecer o comportamento normal do gato ajuda a identificar doenças
Observar a caixa de areia faz parte dos cuidados com a saúde felina.
O tutor deve saber aproximadamente quantas vezes o gato utiliza a caixa, observar alterações na quantidade de urina e perceber mudanças inesperadas no comportamento.
A caixa de areia não é apenas um item da rotina doméstica.
Ela também pode oferecer sinais importantes sobre a saúde do animal.
Informação pode ajudar a salvar vidas
Para Dr. Arthur, orientar o tutor faz parte da medicina preventiva.
“Quando a família sabe reconhecer sinais de alerta, conseguimos reduzir o tempo entre o início do problema e a avaliação veterinária. Em algumas emergências, esse tempo é extremamente importante.”
O principal alerta é simples: um gato fazendo força e sem conseguir urinar precisa de avaliação veterinária rápida.
Não é recomendável medicar o animal em casa, apertar o abdômen ou aguardar espontaneamente que a situação se resolva.
Médico-veterinário em Cacoal e região
Dr. Arthur Antunes — CRMV-RO 1768 atua em clínica médica e cirurgia de pequenos animais, atendendo cães e gatos.
O médico-veterinário também é atualmente pós-graduando em Oncologia Veterinária, ampliando sua formação no acompanhamento de pacientes com doenças oncológicas.
Sua atuação abrange Cacoal e municípios da região de Rondônia, incluindo Rolim de Moura, Ji-Paraná, Pimenta Bueno, Santa Luzia d’Oeste, Nova Brasilândia d’Oeste e Espigão d’Oeste.
Além da prática clínica, Dr. Arthur produz conteúdos educativos para aproximar informações da medicina veterinária dos tutores de cães e gatos.
SOBRE O AUTOR
Dr. Arthur Antunes
Médico-Veterinário — CRMV-RO 1768
Clínica Médica e Cirurgia de Pequenos Animais
Pós-graduando em Oncologia Veterinária
Site: arthurcostavet.com.br
WhatsApp: (69) 99208-0578